O medo de errar

Quando crianças, boa parte do nosso desenvolvimento é feito a partir de tentativas e erros. Não conseguimos nos lembrar de quando começamos a andar, mas quem já teve crianças na família ou filhos, sabe que os bebês levam muitos tombos antes de conseguir darem os primeiros passos. Quantas palavras saíram erradas antes de aprendermos a falar?

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Entretanto, quando vamos à escola, temos um grande problema com os erros. Os processos de aprendizagem através da tentativa e erro não nos parecem ser os melhores, uma vez que o sistema avaliativo não nos permite errar, inclusive, perdemos nota com nossos erros, recebemos notas pelos nossos acertos e o nosso sucesso escolar é atribuído de acordo com essas notas.

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O quanto será que estamos ajudando nossos alunos ao trabalhar dessa maneira? Será que estamos tentando ensinar as crianças sobre determinado conteúdo ou estamos treinando os alunos para resolver exercícios repetitivamente? Será que é bom pressionar nossas crianças para apenas acertarem? Se estivermos ensinando, será que esse aprendizado é significativo ou os alunos vão usar o que precisam na hora que precisam e esquecer do conteúdo poucas horas depois? Será que essas práticas não reforçam a cultura de decorar?

E além de tudo isso, temos de pensar no nosso medo, enquanto professores em deixar nossos alunos errarem. Vão julgar nosso trabalho? Vamos ter tempo de reverter esses erros em acertos? Esse medo pode nos levar à dar as respostas de imediato ou induzir o aluno a chegar na resposta correta?

Se essas questões também te incomodam, precisamos conversar.

Primeiramente, gostaria de dizer que você não está sozinho e que com a prática tudo isso vai melhorar. Se você já é um professor experiente, com certeza já percebeu que para cada turma e/ou para cada aluno, uma abordagem metodológica funciona melhor. Tem alunos que ao notarem que algo está errado, se sentem super estimulados a tentar consertar e não desistem enquanto não conseguirem entender, enquanto outros ao errar duas ou três vezes perdem o estímulo e já começam a se achar fracassados. Essa percepção chega com o tempo em sala de aula e a abordagem que você vai usar para ajudar esses alunos, vai depender de você e do quanto você se sente confortável também em trabalhar com essas ideias.

Man using scissors to remove the word can't to read I can do it

Já que errar é natural de qualquer processo de aprendizagem, temos que dar um significado para ele. Desatrelar a ideia de que errar é um sinônimo de fracassar. Quando vemos uma teoria pronta, não conseguimos ter dimensão de quantas tentativas foram realizadas para chegar naquele “produto final”, quantas vezes Newton errou até chegar na Teoria da Gravidade, e isso é um problema enorme. Alguns livros didáticos e meios de divulgação científica normalmente contam uma historinha para mostrar como esses grandes nomes descobriram algo ou criaram uma invenção, mas não nos contam quantos anos se passaram, o trabalho duro e todos os erros que tiveram ao longo dessa jornada.

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As grandes conquistas da humanidade, da ciência e da tecnologia não vieram de uma hora para a outra, a partir apenas de uma grande ideia. Esquecem até de contar que para essas grandes conquistas várias pessoas trabalharam juntas no mesmo problema e muitas vezes, apenas uma pessoa se destacou e a ela foi atribuído o sucesso. Vale ressaltar também o quanto trabalhar em grupo é importante.

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Para aprender com o erro, é necessário buscar soluções e descobrir como resolver esse problema. O erro geralmente indica onde está a sua dificuldade e te mostra onde você precisa focar mais nos estudos ou melhorar. tenor

Como professores, muitas vezes o pouco tempo de aula ou as pilhas de atividades para correção não nos ajudam a dar mais atenção para eles, mas é muito importante você indicar para o aluno onde ele está errando e explicar o porquê tal resolução ou tal resposta não é satisfatória e poderia melhorar, inclusive se identificarmos que os erros persistem por algum conteúdo anterior que não foi aprendido ou que não ficou tão bem consolidado. Você pode julgar o quanto esse conteúdo é essencial e determinar quanto tempo poderão trabalhar nele ou até procurar outras maneiras de ensinar e retomar conteúdos antigos. Folhas de revisão e exercícios extras, indicar vídeos e canais do youtube que os alunos possam ver aulas, sites seguros que ensinam conteúdos e assim por diante. Todas essas ferramentas são válidas e ajudam os alunos a preencher essas lacunas. Como professores, precisamos ficar atentos para que os erros não desestimulem os alunos a aprender e causem traumas à disciplina.

Convenhamos, todos temos insegurança com erros inclusive nós, professores. Quando  estamos em aula e erramos no conteúdo, temos que lembrar que somos humanos, estamos sujeitos a errar e nossos erros podem trazer algo muito positivo para o aluno. A criança que identificou o erro do professor aumenta sua auto estima e ganha muita confiança. Claro que não é bom errar propositalmente em sala de aula mas quando acontece, os erros nos ensinam que precisamos continuar estudando, nos atualizando, até mesmo descansar  e ensina às crianças que está permitido errar também.

Se queremos desenvolver autonomia, curiosidade, motivação, pensamento crítico e outras habilidades nos alunos, precisamos ajudá-los também no autoconhecimento e autoconfiança e o caminho é trabalhar esse trauma em cometer erros.

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