Por que meus alunos não aprendem a programar?

Os seus alunos estão com dificuldade para aprender nas suas aulas? Como professor, imagino que não conseguir alcançar algumas crianças seja um motivo que te tira o sono e te deixe com muitos incômodos. Hoje vamos conversar um pouquinho sobre algumas barreiras que dificultam a aprendizagem dos nossos alunos. 

1 – Barreira do conhecimento prévio 

O conhecimento de um certo conteúdo em outras experiências ou contextos, pode dificultar na aprendizagem e desenvolvimento de outro conteúdo. Por exemplo, os alunos podem não conseguir compreender completamente ou ter dificuldades em compreender a raiz quadrada por já conhecerem o que é uma raiz e o que é um quadrado. Nesses casos, quanto mais repertório o professor tiver mais fácil fica de prever e explicar as diferenças entre os conteúdos, isso pode ajudar os alunos a não se confundirem. 

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2 – Barreiras emocionais e sentimentais

As barreiras emocionais podem ser uma grande interferência quando estamos falando de aprendizagem. Seres humanos são seres complexos e durante a aula não deixam de sentir emoções e serem influenciados por elas. Quando os alunos estão muito agitados, desanimados, chateados e outras várias emoções que eles podem sentir, com certeza o rendimento e envolvimento deles na atividade e/ou aula não será o mesmo. 

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Essa barreira é difícil de ser quebrada. Geralmente elas acontecem por  situações externas ao momento da aula, porém nesse momento quanto mais conexão* o professor tiver com os alunos, mais fácil poderá identificar esses sentimentos e ajudar os alunos a compreenderem também. 

Aqui na Yadaa a gente sempre busca fazer com que nossa aula tenham muitos momentos alegradores, podemos usar isso para melhorar ou quebrar um pouco essa barreira sentimental e emocional dos alunos. 

*Já falamos um pouquinho sobre conexão com os alunos. Quer dar uma conferida?

Conexão em sala de aula

3 – Barreira do “é muito difícil/muito distante da realidade”

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Quando estamos falando de tecnologia e programação e até de algumas das ciências exatas geralmente já pensamos naquela imagem do filme Matrix, uma tela cheia de zeros e uns, códigos longos e complexos ou a imagem do cientista, programador nerd, isolado e assim por diante. Inclusive a frase “é para poucos” ou “é muito difícil” vem acompanhando essas imagens. Como quebrar esse estigma nos nossos alunos que chegam na escola com essa imagem já definida? 

No caso da programação, temos a programação por blocos* que é mais simples e que com poucos comandos os alunos já conseguem fazer coisas incríveis. Começar conquistando pequenos objetivos já dá um gás e impulsiona os alunos a quererem aprender e buscar mais. E podemos sempre  trabalhar com o bom e velho reforço positivo. Elogiar os alunos e essas conquistas deles também ajuda muito. 

Outro jeito é mostrar para os alunos que a ciência, programação, tecnologia e afins são e foram criadas por pessoas tão normais quanto eles e essa imagem que temos são apenas estereótipos criados. Quer ver? Imagina como é uma pessoa que criou um jogo super premiado e de grande sucesso entre a garotada nesse momento.

Agora que você já imaginou como ele deve ser, vou te mostrar o Cliff Bleszinski um dos desenvolvedores do jogo Fortnite.

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Acredito que seja bem diferente da pessoa que você imaginou. Provavelmente quebrar esse estereótipo já ajuda um pouquinho o seu aluno acreditar que ele também pode. 

*Já falamos um pouquinho sobre  a programação por blocos. Vem dar uma olhada 

Por que usar programação por blocos.

4 – Barreira comportamental

Quem nunca deu aula para um aluno que era muito bagunceiro que atire a primeira pedra.Existem diversos tipos de comportamentos que podem interferir e atrapalhar o desenvolvimento do aprendizado tais como o aluno bagunceiro, o que é pessimista e contamina todo mundo com o que pensa, o que é confiante demais e não aceita ajuda e às vezes até quer dar aula no nosso lugar, enfim, temos vários tipos. 

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E quais estratégias podemos usar para alcançar esses alunos e/ou minimizar esses comportamentos que acabam interferindo e contagiando todos os outros alunos? 

Essa é a pergunta que a gente sempre faz aqui também, ainda mais em aulas que já tem uma proposta mais solta e que os alunos são mais livres. O que podemos falar é que cada aluno é um e podem ser alcançados de maneiras diferentes. Tem criança que trabalha melhor sob pressão e que depois percebe que teria se desenvolvido melhor se tivesse brincado menos; tem criança que melhora quando toma bronca, outras já precisam de uma conversa séria, longe de todo mundo Como descobrir o que funciona para cada um?? Tentando, testando, tendo diversos tipos de abordagem diferentes, criando conexão com os alunos. 

Uma técnica que usamos sempre e ajuda na maior parte dos casos é estabelecer alguns combinados com os alunos, mas esses combinados devem ser estabelecidos por  ambas as partes e todos devem se comprometer em fazer funcionar. 

5 – Barreira da compreensão

Essa talvez seja a barreira de aprendizagem que nós professores temos mais controle, que é a compreensão do conteúdo de fato. Misturadas com as outras barreiras às vezes elas podem ficar um pouco camufladas, mas ao longo do nosso exercício nos deparamos com alunos que são mais visuais, que são mais ou menos comunicativos, que gostam e/ou precisam escrever sobre o conteúdo para poderem aprender melhor. 

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Nesses casos, temos que testar várias metodologias e tentar identificar quais são melhores para cada turma.

6 – Barreira do grupo

Além da barreira comportamental, temos uma outra que está relacionada ao grupo. Geralmente as crianças sempre querem fazer os trabalhos e projetos com quem tem mais afinidade, porém nem sempre isso são flores. Às vezes as crianças brigam, mais conversam e brigam do que produzem, se irritam e até mesmo choram e acabam contagiando o resto da turma.  Inclusive podemos nos deparar com os problemas comportamentais dos alunos.

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Nessas horas a gente sempre tem que pensar no que estamos propondo na aula. O ideal seria que em todas as aulas conseguíssemos trabalhar algum conteúdo relacionado a disciplina e diversas outras competências e habilidades periféricas, porém nem sempre isso acontece. Em alguns momentos o professor terá que abrir mão do conteúdo para desenvolver essas habilidades de trabalho em grupo e em outros o contrário, tudo depende do professor, que vamos lembrar, também faz parte do grupo. 

7 – Barreira da fase de desenvolvimento

Uma outra barreira que pode interferir no aprendizado do aluno é a fase do desenvolvimento que a criança está. Dependendo da idade, o nosso aluno ainda não tem muito desenvolvimento motor ou cognitivo, tem dificuldade de abstração.

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Às vezes as crianças ainda não estão maduras o suficiente para trabalhar a atividade ou o conteúdo e é extremamente importante o professor ter uma atenção redobrada nisso. A própria programação por blocos é uma transposição da programação e que faz sentido para as crianças, coisa que talvez uma programação em javascript não faça tanto sentido.  

Quer conferir o nosso podcast sobre o assunto? 

Links

Anchor.fm ; Spotify ; RadioPublic ; Apple Podcast

Participantes: 

Aninha, Elvis, Jerônimo e Thamine

Edição: 

Luan Dianderas

 

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